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Custos de Produção -> Analise dos Custos da Safra de Soja 2014-2015


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Análise do custo de produção da soja para safra 2014/2015: Comparativo entre produção dos estados de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

A análise do custo de produção da soja teve como base os custos de produção de cooperativas de Agricultores familiares dos estados do Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

A Tabela 1 mostra os custos de produção da safra 2014/2015, por estado, bem como a diferença no custo total para a cultura.  Nota-se que o custo de produção de soja ficou entre 29 a 35 sacas de soja por hectare.

Tabela 1- Discriminação dos custos de produção de soja (em R$/ha) na agricultura familiar por estado na safra 2014/15

                                                                                                  

 

PR

MT

RS

Preparo do Solo

213,80

37,52

37,50

Plantio

55,00

98,08

60,00

Tratos Culturais

22,00

80,47

140,00

Colheita

108,00

65,02

300,00

Transporte Interno

20,90

7,85

0,00

Agrotóxicos

409,00

419,94

419,46

Sementes

495,00

211,75

112,50

Fertilizantes

365,00

727,60

874,50

Mão de Obra

60,00

5,03

31,00

Total

1748,70

1653,26

1974,96

Fonte: Cooperativa de agricultores familiares dos estados do PR, MT e RS

 De acordo com a tabela 1, é possível visualizar que no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, o maior custo foi com fertilizantes, que na sua maioria é importado e com a atual alta do dólar, tornou-se ainda mais caro para os produtores. Já no estado do Paraná, o maior custo foi com sementes, das quais são sementes certificadas, que possuem maior confiabilidade de procedência, maior vigor no desenvolvimento da cultura e menor inoculo de patógenos além dos paranaenses utilizarem maior quantidade de sementes no plantio. 

Como mostra a Figura 1, a operação de preparo do solo no Paraná tem custo mais elevado do que os outros estados por utilizar etapas como manutenção de terraço, calagem, dessecação e subsolagem. No Mato Grosso é utilizado o “Milheto” como cobertura de solo juntamente com calagem, por outro lado, no Rio Grande do Sul é feita apenas a calagem.

O custo com sementes no Rio Grande do Sul é o menor, provavelmente pela região ser polo produtor de sementes, incidindo menor valor de frete e sem interferências de atravessadores. Em contramão, no Paraná o custo é elevado, devido principalmente a utilização de sementes certificadas e maior quantidade por hectare. Destaque também para os custos elevados com colheita, no Rio Grande do Sul, devido a maior produtividade por hectare e grande incidência de doenças, que dificulta o andamento da colhedora e diminui a eficiência da operação.

 

O uso da mão-de-obra é relativamente baixo, devido às operações mecanizadas de colheita e plantio de soja, utilizada somente no tratamento e sementes. 

A Figura 2 apresenta a participação percentual de cada componente no custo de produção. No Rio Grande do Sul os maiores custos são com fertilizantes, agrotóxicos e colheita, com 44%, 21% e 15% respectivamente. No Mato Grosso, os maiores custos são com fertilizantes, agrotóxicos e sementes, com 44%,25% e 13% respectivamente. Já no estado do Paraná, os maiores custos são com sementes, 28%, defensivos,23% e fertilizantes, 21%.

A Figura 3 expõe a composição dos custos com insumos. Destaque para fertilizantes (Adubo de Plantio e Calcário) e custo de sementes no estado do Paraná. Mato Grosso e Rio Grande do Sul apresentaram maiores despesas com adubo explicado, principalmente, pelos solos mais férteis do estado paranaense, demandando, portanto, menores quantidades de fertilizantes.

Se tratando de fungicidas, não houve grande variação no custo de produção dos três estados. Este insumo se faz necessário para combater principalmente a ferrugem asiática, uma das grandes preocupações dos produtores nos últimos anos e razão do prolongamento do vazio sanitário de 90 para 134 dias no MT, que dificulta a soja safrinha. Se tratando de inseticidas, não foi diferente, não houve grande variação entre os estados. Porém, a preocupação na safra 2014/2015 foi principalmente com a mosca branca, que atacou grande maioria das regiões produtoras devido ao tempo seco e falta de umidade durante a safra, o que favoreceu o inseto. A lagarta falsa medideira e a helicoverpa também foram preocupações que os produtores enfrentaram.

A Tabela 2 apresenta a receita e a margem bruta esperada nos três estados por hectare. Considerando a produtividade de 3,5 ton/ha para os três estados, conclui que a maior margem bruta é no Mato Grosso, com preço médio recebido de R$56,00/sc, onde o produtor obtém uma margem bruta de R$1.503,38, que é cerca de 13,8% maior que o estado do Rio Grande do Sul, apesar de o produtor gaúcho receber o melhor preço pela saca. O Paraná teve o menor preço pago ao produtor, R$55,75/sc, e uma margem bruta de R$1.503,38, cerca de 6,8% a menos que o produtor mato-grossense.

Tabela 2- Receita total e margem bruta esperada nos estados do Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

 

Estado

Produtividade (Kg)

Preço Médio (sc)

Receita Total (R$/ha)

Margem Bruta (R$/ha)

PR

3500

R$ 55,75

 R$ 3.252,08

R$ 1.503,38

MT

3500

R$ 56,00

 R$ 3.266,66

R$ 1.613,40

RS

3500

R$ 56,50

 R$ 3.295,83

R$ 1.320,87

Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados das Cooperativas de Agricultores Familiares.

 

Com a alta do dólar, o mercado externo fica mais atrativo para os produtores de soja, visto que irão ganhar mais. Porém, segundo o USDA, a safra 2014/2015 dos EUA foi recorde, chegando aos 108 milhões de toneladas, ante 94 milhões de toneladas do Brasil. Com a alta oferta a preços baixos praticados por parte dos EUA, os produtores brasileiros já devem pensar em estratégias de comercialização para garantirem o lucro da produção.

Segundo estimativas da ABIOVE, para o ano civil de 2015, serão produzidos 92,4 milhões de toneladas no Brasil, das quais 52% seguirá para exportação, 42% para processamento no Brasil, 3% ficará em estoques e os outros 3% ficará para sementes. A soja irá movimentar cerca de 23,2 bilhões de dólares. 

 
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