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Oportunidade com o Rota 2030


Por Plinio Nastari*

Está em avaliação pelo governo uma proposta de redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros elétricos a bateria de 25% para 7%. Este incentivo se somaria à já aplicada isenção do Imposto de Importação de 35%. A única justificativa possível é o modismo ou o desejo de copiar o que é feito em outros países sem avaliar o impacto na economia e no meio ambiente.

A proposta é um dos elementos do Rota 2030, programa que deve substituir o Inovar-Auto, condenado na Organização Mundial do Comércio (OMC) por criar benefícios à indústria local.

Se o critério for técnico, deve-se reconhecer que o veículo atual utilizando combustível renovável é mais limpo do que o carro elétrico a bateria. Segundo a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), considerando a avaliação de ciclo de vida, um veículo leve convencional movido a etanol emite apenas 45 gramas de CO2 por km, e quando usa gasolina emite 166g. Considerando o mix de combustíveis no Brasil, a emissão média é de 129g. Já o carro elétrico à bateria produzido na Europa emite 139g.

Portanto, o que o Brasil faz hoje com motores a combustão interna já é superior ao que a Europa e os EUA almejam alcançar com os carros elétricos a bateria. Além disso, há ganhos consideráveis ainda a serem implementados nos atuais veículos a combustão interna e há a opção de incentivar os híbridos flex e os carros movidos a células combustível, que também são considerados elétricos e tem um consumo energético igualmente baixo. O híbrido flex usando etanol emite apenas 23g e a célula a combustível emite incríveis 11g.

Fica claro que é preciso definir qual é o tipo de eletrificação que o País almeja. Podemos eleger a eletrificação através do híbrido flex a etanol, criando um padrão mundial capaz de ser exportado para vários países.

O carro elétrico a bateria depende de baterias fabricadas com lítio e cobalto, minerais escassos e de preços crescentes. O lítio é encontrado basicamente na China e no Chile e já se discute limites de disponibilidade e a dependência sobre essas origens. O preço do cobalto mais do que dobrou em 2017, indo para 75 mil US$ por tonelada, e se projeta que deva dobrar novamente nos próximos dois anos. Dois terços do cobalto são extraídos no Congo, onde a Anistia Internacional indica que milhares de crianças, algumas com sete anos de idade, o extraem em condição de trabalho escravo e de risco.

A bateria é cara, o seu descarte é poluente e sua vida útil é limitada, o que leva a um custo elevado de reposição, sendo, por isso, uma tecnologia a que poucos consumidores têm acesso. Além disso, depende de infraestrutura que não existe e precisa ser criada a alto custo. É exatamente para compensar esse custo que a redução do IPI é cogitada e a isenção do Imposto de Importação aplicada.

Mas esses são incentivos na direção errada. O recurso será muito melhor gasto se for oferecido para reduzir o consumo energético dos veículos que usam combustíveis renováveis, para a promoção dos híbridos flex e, no futuro, da célula a combustível utilizando etanol, biodiesel e biometano. Já está instalada no Brasil a distribuição de etanol em quase 42 mil postos de revenda, que equivalem a uma rede de energia solar disponibilizada na forma de um líquido de alta densidade energética.

No final de 2017, o Congresso aprovou e o presidente Temer sancionou o RenovaBio, que tem como objetivo induzir ganhos de eficiência e reconhecer a capacidade dos biocombustíveis reduzirem emissões de carbono. O Rota 2030 é irmão siamês do RenovaBio e pode criar um modelo de desenvolvimento que valorize a engenharia nacional. A indústria automotiva e a de combustíveis precisam de previsibilidade e estabilidade para realizar investimentos. A definição de uma visão integrada que valorize nossa capacitação nestes setores representa uma oportunidade histórica para o Brasil se consolidar como liderança ambiental e energética.

* Plinio Nastari é presidente da Datagro, ex-presidente do conselho da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) e representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética

Fonte: Nova Cana

 
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